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O “CHEIRINHO” DAS VELAS

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(Pintura: O concerto. Um músico no cravo e um violoncelista. pintura de Gaspare Traversi (1722-1770) Rouen, Musee des Beaux Arts) A propósito de “velas”, gostaria de destacar uma consideração que arquitectei frequentemente. Abstraindo das diferenças de cultura, educação, transmutações ou gostos entre o século das Luzes e o século XXI, é possível, hoje, ter a mesma percepção sensorial da música que no século XVIII? Naquela altura, a música era ouvida em salões ou salas frequentemente pouco aquecidas e iluminadas com velas de sebo, abelha ou espermacete (nos salões da corte de Viena havia 3000 velas) que libertavam um cheiro atroz... Dir-se-ia mesmo nauseabundo. Mesmo se classificarmos o olfacto do ser humano como pouco desenvolvido (comparado com os dos mamíferos), tal não impede que as células olfactivas enviem impulsos directamente ao cérebro onde se centraliza também a audição. Se considerarmos o cheiro das velas não parafinadas que existiam, quando se ouvia um concerto, a perce...