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A mostrar mensagens de junho, 2026

JOUER NÃO É SÓ BRINCAR

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JOUER NÃO É SÓ BRINCAR Estava à conversa com uma amiga que me dizia que quando ia a Itália aproveitava para comprar partituras de música. De repente perguntei-lhe: jogas que instrumento? Diante da sua surpresa tive de explicar que é um defeito que tenho (entre outros); na precipitação, substituo o verbo tocar por jogar. Influências nefastas da língua francesa que pratico no quotidiano há seis décadas. Assim, em francês, diz-se jouer: para jogar/tocar/ brincar/representar/brincar/apostar/desempenhar etc. (como se vê há pano para mangas), quando se trata de tocar piano, por exemplo. O grande actor e dramaturgo francês Sacha Guitry dizia isso aos seus filhos quando saía de casa à tardinha para ir para o teatro. Nós exercemos a profissão mais bonita do mundo, pois quando saímos de casa dizemos: Vou brincar (representar). Assistindo aos debates de trazer por casa existentes na AR, nas comissões de inquérito, nos tribunais e em tantos outros sítios aprazíveis, chegamos (chego) a essa c...

Carta a um Amigo

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"Meu caro amigo António Escrevo-te hoje como quem tenta alcançar alguém que partiu, mas que continua vivo e pulsante nas dobras da memória, nas lembranças e na imaginação. Mesmo sem resposta tua! (Quem sabe?). Não sei se alguma vez te disse — ou se disse o suficiente — o quanto a tua companhia significava. Talvez estas palavras possam chegar até ti, onde quer que agora respires de outra forma, levando a minha recordação e o meu carinho. Sinto falta dos nossos comentários, da maneira como conseguíamos explorar cada pensamento sem medo de errar, sem pressa de chegar a conclusões. Assim era o nosso diálogo: mais do que palavras; era uma forma de compreender o mundo e a nós próprios. Sinto falta das nossas conversas (sobretudo pelo telefone, em consequência da distância física. Tu em Lisboa e eu em Paris), da nossa boa disposição, dos debates acalorados sobre ideias que pareciam urgentes naqueles tempos idos. E como esquecer os inúmeros momentos passados juntos em minha casa em Paris ...

Em termos de apresentação

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Este blogue nasceu da insistência de alguns amigos e admiradores junto de Carlos Otero, no sentido de se criar um espaço de divulgação da sua vida, do seu percurso artístico e da sua obra, onde, quem conhece, encontra uma enorme riqueza. Assim, quando finalmente concordou, fez questão de que este blogue tivesse início com a carta que escreveu ao seu querido amigo António Marques, ex-director do jornal "Raio de Luz", onde Carlos Otero publicou durante vários anos, e que lamentável e recentemente, partiu precocemente em direcção a outros orientes. Escolheu também este dia de Camões para estreia deste painel, este luso-franco-galego que embora há muitas décadas radicado e naturalizado em França, nunca esqueceu, nem a sua língua, nem o seu país de origem.

Percurso artístico-profissional de Carlos Otero

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Carlos Otero nasceu em Lisboa e vive em Paris há mais de 60 anos. Escreve, é actor e cantor. Encenou teatro, operetas e óperas. Entre outras, no Teatro dos Champs Elysées, de Paris, o drama "Thamos", e "A Flauta Mágica" ambas de Mozart, assim como quatro espectáculos no teatro de S. Carlos. Fez cento e cinquenta conferências. Tem mais de 3.200 representações em palco e, com a concretização "Ópera na Escola", encaminhou 9.000 alunos a assistir a espectáculos líricos montados com a sua companhia de ópera. Desse projeto fez parte a ópera "Cinderela" de Rossini, apresentada em Lisboa no Centro Cultural de Belém. Escreveu uma biografia-desencaminhada sobre o compositor A. Salieri, grande rival de Mozart, assim como duas peças de teatro, um libreto de ópera, dois livros sobre músicos clássicos, dois livros de "Conversas" de Chachas, guião de filmes sobre Veneza e sobre a história da Opereta. Licenciado em Musicologia pela Sorbonne, consagra-...