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LOBBY OR NOT LOBBY, EIS A QUESTÃO… EM BRUXELAS

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(Imagem: Wikipédia) O livro de José Bové Hold-Up à Bruxelles, que acabei de reler, ataca todos os lobbies, desde o do tabaco ao agroalimentar. Este político, activista e militante altermundialista, arisco oponente dos OGM e da agricultura ultra-industrializada, denuncia o “bando” organizado dos lobbies. Sejam eles quem forem. Os seus agentes batem a todas as portas, são convidados e introduzem-se em tudo o que é sitio… de ganância. O autor deste livro destapa-lhes a careca. Em 2009, este deputado europeu francês teve a coragem de afirmar – ao mesmo tempo que reconhecia a sua ignorância, o que é raro – que na altura em que chegou a Bruxelas desconhecia o peso exercido pelos lobbies nessa grande capital dos “negócios”... Lembro que estão presentes cerca de 30 000 lobbies trabalhando para a grande indústria e outros mais monopólios. Números desconhecidos do público em geral, mas que dão uma ideia do que eles podem manobrar. Lembro igualmente, para os mais distraídos, que os projectos ...

A MÚSICA, VERTENTE DO SER HUMANO?

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(Pintura: "David", de Lorenzo Monaco) A música não é mais do que o prolongamento do silêncio e vice-versa! Assim, no princípio era… o silêncio. Com a minha indisciplina habitual, proponho esta afirmação que me parece condigna. O silêncio, sim, existia, estou certo disso. E… o silêncio é já MÚSICA. A definição de música poderia ser deste cariz: “a harmonia do silêncio!” A música poderia ser também a poesia sem palavras. Porém, o compositor Jean Sibelius define-a doutra maneira: “A música começa onde a palavra acaba.”. (1) Não se sabe de onde vem a música, sabe-se no entanto para onde vai… Para o coração. Com a vivência desta disposição pode-se passar mais facilmente do profano ao sagrado/divino. Será então pela palavra que lembrarei o que a música pode arvorar… Vivemos indiscutivelmente uma época “crítica”, onde as antigas certezas são incapazes de orientar eficazmente as acções presentes. Numerosas são as pessoas que têm a impressão de que, no domínio da gestão pública...

O DOURO VAI POR ÁGUA ABAIXO...

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Que espectáculo maravilhoso a descida do Douro de barco! As paisagens de cada lado do rio. As surpreendentes barragens, construções necessárias para essa viagem. Uma verdadeira maravilha. Claro que o que escrevo neste momento já não corresponde à verdade verdadeira. Desde há uns anos a esta parte que o rio Douro tem sido massacrado por promotores de toda a espécie. Nada escapou. Desde os guindastes e gruas por toda a parte até – cúmulo dos cúmulos- aos painéis solares (numa grande preocupação ecológica, claro!) de todo o tamanho, qualquer coisa como 5x5 metros à frente de um casarão voltado para o rio. Poderão argumentar que se trata de casas antigas e que estão a ser renovadas para que o aspecto exterior seja mais conveniente para a paisagem ambiental. Muita casa velha havia naquele sítio para que se possa ver actualmente a proliferação das mesmas. Restaurar é uma coisa, construir de raiz é outra. O número de novas casas existentes nas margens do rio é alucinante. Penso que o facto ...

O “CHEIRINHO” DAS VELAS

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(Pintura: O concerto. Um músico no cravo e um violoncelista. pintura de Gaspare Traversi (1722-1770) Rouen, Musee des Beaux Arts) A propósito de “velas”, gostaria de destacar uma consideração que arquitectei frequentemente. Abstraindo das diferenças de cultura, educação, transmutações ou gostos entre o século das Luzes e o século XXI, é possível, hoje, ter a mesma percepção sensorial da música que no século XVIII? Naquela altura, a música era ouvida em salões ou salas frequentemente pouco aquecidas e iluminadas com velas de sebo, abelha ou espermacete (nos salões da corte de Viena havia 3000 velas) que libertavam um cheiro atroz... Dir-se-ia mesmo nauseabundo. Mesmo se classificarmos o olfacto do ser humano como pouco desenvolvido (comparado com os dos mamíferos), tal não impede que as células olfactivas enviem impulsos directamente ao cérebro onde se centraliza também a audição. Se considerarmos o cheiro das velas não parafinadas que existiam, quando se ouvia um concerto, a perce...

SÓ… SEM MÁRIO DE SÁ-CARNEIRO

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Num 30 de Novembro, o “nosso” Fernando Pessoa deixou-nos, regressando para junto dos que o tinham “emprestado” a este planeta durante 47 anos. Não queria deixar de destacar esse facto. O presente texto evoca a sua amizade com outro grande poeta, injustamente esquecido pelos nossos contemporâneos: Mário de Sá-Carneiro, que nasce em Lisboa a 19 de Maio de 1890 e morre em Paris a 26 de Abril de 1916. Poeta, contista, foi um dos grandes expoentes do modernismo em Portugal e um exímio membro da chamada Geração d'Orpheu. Ao perder a sua mãe ainda criança, ressentiu sempre um vazio na sua vida. Guardando assim uma saudade sem fim da sua não-felicidade da infância. Escrevia: Pobres crianças que não conheceram a mãe, a infância foi toda uma desolação, desprovida de carinhos, de afagos. A idade venturosa da infância! Em volta de nós podem suceder as piores catástrofes. No entanto, é vagamente que percebemos a dor humana. Para as crianças felizes existe realmente um céu, o céu dos seus p...

SÓ SEM ANTÓNIO NOBRE

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“Quando ele nasceu, nascemos todos nós. A tristeza que cada um de nós traz consigo, mesmo no sentido da sua alegria é ele ainda.” Assim escreveu Fernando Pessoa. Paralelo/coincidência entre os dois poetas: António Nobre publica um só livro de poemas ainda em vida com 25 anos e Fernando Pessoa publica um só livro em vida com 47 anos. António Nobre nasceu numa família com bens, mercê do pai, antigo emigrado no Brasil. A infância, a adolescência feliz e despreocupada, foram passadas junto de paisagens provincianas que recordará toda a sua vida. Estudou no Porto e frequentou a boémia. Em Coimbra matriculou-se no curso de Direito da Universidade de Coimbra, mas com o seu carácter intimista não conseguiu encaixar-se na vida estudantil coimbrã. No entanto, desde a sua chegada, com os seus modos de dandy, e ao mesmo tempo que fazia versos sobre a morte, exerceu sobre os outros estudantes uma excepcional sedução. Outros serão menos sensíveis à sua força espiritual, como os professore...

À CONVERSA COM… MOZART

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Carlos: Creio que não há inconveniente em que te trate por tu? Já nos conhecemos há tanto tempo… Não queria deixar passar este mês de Julho sem te prestar a devida homenagem. Foi nesta época que recebeste uma encomenda do abastado Conde Walsegg, que, por lema, encomendava obras musicais aos compositores para depois as copiar e as atribuir a si mesmo. Tratava-se de um Requiem que não chegaste a terminar (tenho uma certa opinião a esse respeito, aliás), deixaste apenas dois terços concluídos… o que daria muito que falar. Não posso esquecer o teu primeiro triunfo com a ópera O Rapto do Serralho, estreada a 16 de Julho de 1782, no Burgtheater. O imperador José II felicitou-te, mas não deixou de salientar a tua audácia musical, através de uma frase que se tornou célebre: Demasiado bonita para os nossos ouvidos e demasiadas notas, meu caro Mozart. Ao que tu respondes: Há exactamente as que são necessárias, Majestade. Arrojado, frente ao Imperador! Mozart: Nunca tinha analisado a minha ...