À CONVERSA COM… MOZART
Carlos: Creio que não há inconveniente em que te trate por tu? Já nos conhecemos há tanto tempo…
Não queria deixar passar este mês de Julho sem te prestar a devida homenagem. Foi nesta época que recebeste uma encomenda do abastado Conde Walsegg, que, por lema, encomendava obras musicais aos compositores para depois as copiar e as atribuir a si mesmo.
Tratava-se de um Requiem que não chegaste a terminar (tenho uma certa opinião a esse respeito, aliás), deixaste apenas dois terços concluídos… o que daria muito que falar.
Não posso esquecer o teu primeiro triunfo com a ópera O Rapto do Serralho, estreada a 16 de Julho de 1782, no Burgtheater. O imperador José II felicitou-te, mas não deixou de salientar a tua audácia musical, através de uma frase que se tornou célebre: Demasiado bonita para os nossos ouvidos e demasiadas notas, meu caro Mozart. Ao que tu respondes: Há exactamente as que são necessárias, Majestade.
Arrojado, frente ao Imperador!
Mozart: Nunca tinha analisado a minha resposta ao Imperador sob esse prisma, obrigado. Como vês, não se pondera tudo. É verdade que tive sempre uma grande dificuldade em aceitar “opiniões técnicas” vindas de amadores, fossem eles imperadores! Mas talvez ele tivesse razão: a minha linguagem era demasiado densa para ouvidos mais receptivos às ternas melodias de Paisiello ou ao classicismo sóbrio de Salieri. Demasiadas notas, demasiada “substância”. E passei a ser apenas um dos muitos músicos que lutavam em Viena pelo reconhecimento.
Quanto ao Requiem fiquei com curiosidade em conhecer a tua opinião sobre o facto de não o ter terminado…
C: Na minha opinião não terminaste o Requiem de propósito!
Vejamos: Depois da data da dita encomenda, tu compuseste: a cantata maçónica Die ihr des unermeßlichen Weltalls Schöpfer ehrt; duas óperas: A Flauta Mágica e A Clemência de Tito; o Concerto para Clarinete (cujo segundo andamento é, na minha opinião e no meu espírito, o máximo que a música pode alcançar); uma ária para a voz de baixo Io ti lascio oh cara addio; Cadências para concertos para piano; e a cantata maçónica KV 623, Laut verkünde unsre Freude.
Com uma produção musical tão vasta e longa, tenho uma certa dificuldade em aceitar que não tivesses tido tempo de terminar o Requiem.
M: …
C: A minha “leitura” é outra. Como todos os artistas tu és/eras supersticioso. Assim consideravas que o Requiem era para ti, quando morto.
Recuando o mais possível o seu término tu afastavas, de idêntica forma, a tua própria morte.
Não o terminaste e… morreste na mesma!
M: A propósito, quando vens juntar-te a mim neste sítio paradisíaco? Já te espero há bastantes anos…
C: Tens razão. Não deixarei de o fazer um dia... o mais tarde possível!
Mas, entretanto, tenho transmitido a boa palavra – quer dizer, a tua música – junto dos meus contemporâneos. Tenho realizado numerosas “conversas” entre nós os dois. Sem nunca te pedir autorização, estou de acordo, mas foi sempre em prol da tua música. Tenho sido incansável nesse sentido. As pessoas gostam e podem nessas ocasiões ouvir a tua maravilhosa música. São diálogos de alto nível, como tu sabes.
Não esqueço que nunca pudeste aceitar o meu interesse pelo compositor António Salieri.
M: A tal ponto que escreveste um livro de 270 páginas sobre ele e nunca o fizeste sobre mim.
C: É verdade. Mas sobre ti há pelo menos 11.250 livros e, sobre Salieri nada. Pensei que seria uma oportunidade para que se conhecesse um pouco a sua vida, a sua obra, sobretudo depois do colossal sucesso do filme Amadeus. Filme onde (e com razão) deténs, como personagem, o estatuto de vedeta e ele é apenas um faire valoir.
Ninguém o conhecia antes do filme e depois ficaram com uma ideia totalmente deturpada da sua pessoa. Aliás, as editoras de livros também mantêm essa opinião, pois nunca quiseram editar o meu livro sobre Salieri. Continua em “estado” de manuscrito – a não ser que!...
Como sabes, nos anos de 1939-1945 (da era terrena) houve uma grande catástrofe no Mundo. Uma guerra sem nome que trucidou milhões de indivíduos.
Ora nos campos de concentração (!) os prisioneiros formaram inúmeras “orquestras” onde tocavam também as tuas músicas! Esses prisioneiros eram antigos músicos das orquestras dos países ocupados. Para muitos era como um balão de oxigénio, uma escapatória face à (não) existência vivida no dia-a-dia nesses campos de concentração.
Os concertos eram semanais e os bandalhos que comandavam esses sítios sinistros ouviam com prazer músicas interpretadas pelos prisioneiros… muitas vezes na véspera de serem suprimidos nas câmaras de gás!
Os assassinos gostavam de música e pediam cada vez mais, sem que se possa compreenda como pessoas daquele calibre conseguiam ser sensíveis à música. Nunca cheguei a compreender porquê. Como pode a música influenciar o ser humano?
E no presente caso nem sei se eram seres humanos. Talvez me possas elucidar, agora que tens a sabedoria celeste.
M: Não encontro explicação para essa atitude dos Nazis. Como vês, não tenho medo de utilizar esse termo.
Mas, ainda hoje, o ser/cérebro humano continua a ser uma incógnita para mim. No meu tempo os meus contemporâneos não se questionavam. Viam em mim um homem comum com as suas qualidades e os seus defeitos. Escapando assim – talvez – à tendência de transformar a realidade daqueles que admiramos. A tal ponto que recusaram pressagiar o meu talento – que digo – o meu génio! Sem se saber porquê, a seguir à minha morte, a minha música ficou tanto tempo silenciosa.
Ninguém me chegava aos calcanhares, nem mesmo o teu amigo Salieri!
C: A tua obra é a de um homem que se sente profundamente isolado e quer quebrar a sua solidão falando com os outros. Mas o artista só faz um solilóquio; só fala de si, nunca dos outros.
A esse respeito gostaria de evocar a tua obra musical e submeter-te uma ponderação que sobre ela arquitectei.
M: Fico curioso em conhecer a tua opinião.
C: Durante muito tempo, foste o mais ignorado dos grandes mestres reconhecidos. Da tua música instrumental, apenas algumas sonatas eram executadas, reservadas a principiantes e inseparáveis da frágil imagem do virtuoso de oito anos. Para muitos, a tua música não tinha alcançado a idade adulta.
Um contemporâneo meu chegou a dizer: Nada está mais próximo do sobrenatural do que Mozart e, da mesma forma, a existência de tal música torna inconcebível uma concepção materializada do mundo.
Palavras elevadas, mas que atribuem à pureza da tua música uma extensão metafísica com que tu serias o primeiro a ficar surpreendido. Na minha opinião, nunca estiveste ciente do alto significado espiritual da música que nos deixaste em 32.000 páginas manuscritas. Apoiando-me nisso, imaginei fragmentar a tua obra. 30 anos de composição musical. Por que não os dividir em 3 épocas de 10 anos cada?
1º período: A partir de 30.11.1763 = (leveza) Minueto em Ré, K7.
A propósito, foi a pedido do teu amigo J. C. Bach que compuseste a tua primeira sinfonia em 1764, quando tinhas apenas 8 anos!
Foste o Menino-prodígio que aliciou os salões musicais do nosso planeta. A tua composição musical, que parece espontânea, era o fruto de um trabalho árduo, de exercícios, de uma incansável labuta quotidiana.
No início, as tuas composições limitavam-se a “sair da caixa mágica”, como chamavas ao instrumento cravo, quando tinhas seis anos. Mas sempre com o conceito de: juntar as notas que se amam.
Mais tarde, quando a melancolia invadia o teu coração, a tua música nunca foi afectada. Como um sonho. Ela permite imaginar e sonhar. Conhecer a tua música é amá-la. Amar a tua música é conhecer-te.
2º período: A partir de 13.12.1773 = (equilíbrio) Concerto em Ré para cravo, K175.
A obrigação de compor regularmente para a Corte obrigava-te a realizar certas obras de rotina (ditadas pelo génio, no entanto!)
3º período: A partir de 14.12.1784 = (profundidade) Concerto para piano, K459.
Foste um organizador social? Não o creio.
Contribuíste para uma sociedade mais feliz? Sim, sem dúvida.
O teu tributo reside unicamente na tua música. Nada de intelectual, apenas humano. Transmitindo mensagens e sensações a todos os que estão dispostos a ouvi-las e assimilá-las. Daí serem sempre uma fonte inesgotável de inspiração. As tuas sinfonias, concertos e óperas demonstram uma perfeição técnica e uma profunda expressão emocional.
Onde nascia essa inspiração sempre activa? Sempre em movimento?
M: Fiquei muito sensibilizado com a tua divisão da minha obra. Está justa e bem analisada.
Realmente tive a sorte de poder criar obras tanto para a diversão das cortes como para a devoção religiosa. Chegado a Viena, via a cidade com outros olhos. Ela deslumbrou-me pela largura das suas ruas e pela população de cerca de 200.000 habitantes numa vocação cosmopolita. A cidade constituía um poderoso íman para um músico. Todas as classes sociais ouviam música e cultivavam esse prazer com uma infinidade de concertos em casas particulares, em locais públicos e ao ar livre.
Tive então a oportunidade de aproveitar o que nessa altura tinha surgido: o músico independente. A partir daí, o compositor deixava de se encontrar ao serviço de um monarca ou de uma igreja, para ser livre. Sonho que tinha sido o meu desde sempre. A música é a expressão da alma humana e, como a sociedade muda, a música também deve reflectir essa renovação. A música sempre me permitiu transmitir sentimentos a fim de atingir o coração dos seres. Transportar o público para um mundo de sonhos e de emoções.
C: Alcançaste-o. A tua música valorou a nossa alma e o nosso espírito.
M: Que a música continue a unir-nos e a emocionar-nos, para além das épocas em que viveremos.
C: O destino de certas pessoas é lutar contra o vento – que digo? –, contra os ciclones. Sei que sentiste como uma grande injustiça todas as honras distribuídas tão generosamente a todos os que se curvavam perante o poder, a todos os que, sem qualquer comparação com o teu génio, eram galardoados.
Mas o próprio da tua música foi atravessar indiferente as teorias, os sistemas e as fórmulas. Uma música vinda do teu génio, que lhe dava suficiente riqueza alargando o campo sonoro da expressão musical.
Na altura a sonoridade dos instrumentos era de pouca importância para os compositores. Os instrumentos eram utilizados de acordo com a sua tessitura e raramente de acordo com o seu próprio som.
Tu soubeste mostrar-te hábil no domínio da “cor” e nas ideias orquestrais.
As tuas óperas, por exemplo, são verdadeiras obras-primas. Combinam drama, comédia e tragédia de forma original. Sempre conferiste vida a cada personagem de maneira bem definida e fascinante. A orquestra combina perfeitamente com a acção dramática, em que cada som está no seu devido lugar. A ópera Don Giovanni é admirável nesse sentido.
M: Ah, sim, Don Giovanni é uma das minhas óperas favoritas. E, no entanto, moralmente não me encontrava na melhor forma. Como sabes, tinha falecido o meu pai uns meses antes e sentia-me muito afectado. Tinha-lhe escrito uma carta (que ele não chegou a ler, o que é ainda mais doloroso) onde dizia: A morte é o objectivo final da nossa existência. Há muitos anos que me habituei a essa excelente e verdadeira amiga do homem, que a sua imagem, não somente, nada tem de assustador para mim, mas, antes pelo contrário, afigura-se-me cheia de sossego e de consolação.
Mas, apesar disso, tive imenso deleite durante a composição. O facto de aprisionar a complexidade desse herói tão desconsiderado foi um grande desafio. Graças à Música consegui-o. Ainda hoje penso que a música é um código universal que permite contar histórias acessíveis a todos.
C: Concordo plenamente, tanto mais que há uns anos estive na residência Bertramka da família Dušek, em Praga. Foi uma grande honra encontrar-me no sítio onde tinhas concebido essa ópera. Inclusive, apalpei com infinito carinho a mesa em pedra situada no jardim. Está repleta de ondas (hoje diz-se: traços de ADN) deixadas por ti quando lá te sentavas para compor.
M: A primeira nota de música deve ter aparecido no dia em que o homem sofreu pela primeira vez. Ainda não existiam palavras para definir o sofrimento. É por essa razão que a música é também a expressão da tristeza e, na filosofia da arte, o ponto mais exterior da alma humana. A música podia ser a poesia sem palavras, mas um contemporâneo teu, o compositor Jean Sibelius, definiu-a de forma diferente: A música começa aí, onde a palavra acaba.
C: Mas a tua época foi um período de grandes talentos musicais. Um deles foi Haydn, com quem tinhas uma relação muito próxima.
M: O seu tributo para com a evolução da sinfonia e do quarteto de cordas foi inestimável. Tenho um reconhecimento eterno (a eternidade… agora já sei o que é, já cá estou) por tudo o que ele me ensinou.
C: Além dele houve Beethoven, também grande talento. Creio saber que ele tentou ter lições de composição contigo?
M: Sim. Era muito jovem ainda, tinha 17 anos, quando me veio pedir conselho. Começou por interpretar uma sonata minha. E ficou humilhado quando lhe disse que não era assim que se executavam as minhas sonatas.
Mais tarde a sua música estaria repleta de emoção e profundidade, o que eu admirava totalmente. Mas foram especialmente as suas composições revolucionárias que tiveram um grande impacto sobre a música da época. Também não quero esquecer Gluck, que trouxe uma abordagem reformista à ópera, procurando maior coesão entre a música e o drama. Segui-o como exemplo. Quanto a Salieri, era um músico hábil com quem tive relações profissionais.
A música é um belo trilho que nos permite ultrapassar o tempo. E fico feliz por contribuir de certa forma para a difusão dessa beleza.
C: A tua genialidade e paixão pela música são evidentes em cada nota que escreveste. As tuas obras ainda servem de inspiração aos músicos actuais.
A propósito, gostaria que me esclarecesses sobre algo que me embaralha há muito. Porque é que tu, grande compositor, te envolveste igualmente numa abordagem e reflexão filosófica?
M: Porquê? Porque o próprio do homem é tentar elevar-se, crescer com o auxílio da reflexão, do pensamento e dos símbolos.
O símbolo é a arte visível de uma realidade invisível. Como na música, não sabemos de onde vem, mas sabemos para onde vai, o CORAÇÃO!
No entanto posso dar duas explicações plausíveis.
Arriscaria até: porque estava na moda, era o contexto da época nessa fracção de terra.
Muitos seres racionais andavam obnubilados pelas ideias defendidas pelos grandes pensadores da época. De Paris chegavam ideias novas todos os dias. A Enciclopédia de Diderot e D’Alembert (onde tudo existe, como hoje na Internet) defendia o raciocínio humano, o pensamento crítico, e a essência das antigas práticas a fim de dar início a uma nova sociedade: Dignidade=Liberdade=Felicidade= do homem.
Grandes filósofos defendiam uma nova existência do ser humano e ponderavam um meio filosófico para o alcançar. Pensavam que a posição social nada tinha a ver com a nobreza de espírito. As pessoas de classe inferior poderiam ser nobres de espírito, como as pessoas de nascimento nobre poderiam ser mesquinhas. Sempre fui sensível à mensagem universal: o amor é para os homens o que a gravitação é para a matéria. Titanesca lei universal que assegura a coesão. Eu tinha um profundo respeito pelas pessoas comuns/menores, porque me sentia próximo delas. No entanto, aspirava a outra coisa e sentia que uma grande mudança na sociedade só era possível através de uma modificação do homem. Um novo homem era possível. E acreditei. Essas ideias, que abalaram a Europa no século XVIII, são bem conhecidas, porque permanecem sempre no centro das lutas da sociedade: a igualdade entre homens e mulheres, a emancipação e a responsabilidade dos indivíduos, o acesso ao conhecimento, o amor e a fraternidade humana.
Elas preparam o advento de uma espiritualidade simples e natural, afastada dos dogmas religiosos e naturalmente acessível a todos. A nossa Igreja local, claro, não via muito favoravelmente este ensaio de emancipação, esta audácia de pensamento, como diria, muito mais tarde, o vosso filósofo Kant.
Não esquecer que, na altura, os pensadores arcavam como missão diminuir ao máximo as cisões que tornam as pessoas estranhas umas às outras!
Em Viena desenvolviam-se tertúlias por todo o lado.
Como explicar o que se sente nesses momentos precisos de convívio? Diria que por vezes desejava encontrar-me a centenas de léguas de lá. No entanto, se o tivesse feito, não teria vivido esses momentos únicos na minha vida e que me levaram a meditar sobre a minha existência passada e, porque não?, sobre a minha música. Considerava a minha implicação como uma oportunidade para compor obras dedicadas, indirectamente, aos meus companheiros. O que fiz de facto. Mais tarde acusaram-me de ter procurado certas amizades por me sentir artisticamente só e até mesmo no intuito de “lidar” de igual para igual com os senhores que não me recebiam nos seus palácios.
Hoje, o prédio onde morri foi destruído para ali se instalar uma loja dos 300.
Só tenho direito a uma placa lá colocada.
C: Gostaria de terminar esta conversa, dizendo o que te devemos a ti e, à tua música. Graça a vocês, enchemo-nos de serenidade. Tornaste visível essa fracção de espiritualidade que a tua música nos inspira e que nos permite esvoaçar até cimos de felicidade.
Espiritualidade que nem os terramotos nem os tufões poderão destruir.
A 5 de Dezembro de 1791, entraste na noite imortal durante a representação de A Flauta Mágica para voltares a reunir-te com os que te tinham emprestado a esta TERRA durante 35 anos.
No limiar da tua passagem para o eterno legaste ao mundo o teu testamento filosófico: A Flauta Mágica. Obra esotérica e simbolicamente rica.
Musicalmente, essa partitura é a soma e a fusão de todas as inspirações divinas. Claramente carregada de referências espirituais. A música, nascida da nossa própria vida, transporta o sentimento para as regiões mais altas, onde a alma se sente em êxtase. As grandes “catedrais” continuam desocultadas a todos os que procuram construir um mundo melhor. Trata-se de uma construção inteiramente pessoal, se a não fizermos não podemos culpar os outros.
Arrisquemos, então, colocar a última pedra que fechará a cúpula. Não é sem razão que se considera “fecho de abóbada”. Uma chaveta que serve – talvez – para fechar a NOSSA existência no momento adequado!
A fraternidade dos homens e a tolerância contribuem para a perfeição do nosso SER interior. Uma linguagem que penetra as almas e aquece os corações; uma linguagem tão eloquente, tão verdadeira, tão vasta que ultrapassa a vida: A MÚSICA. E a tua jamais será esquecida. A Arte subiu ao Céu e do Céu desceu à Terra para deleite da Humanidade. É por isso que a sua harmonia e o seu ritmo se transformaram nesta voz que ressoou por todos os continentes, encantando ricos e pobres, reis e povos. A música arrancou as raízes da sua existência a partir da harmonia que presidiu à criação dos mundos; mas o homem filtrou-a através da sua alma para a elevar ao firmamento. A palavra é a lanterna que ilumina todos os recônditos da Razão.
Como diria Pascal: O homem é um deus caído que se lembra dos céus.
É certamente o teu caso, que: Quando vieste ao mundo… vieste ao MUNDO INTEIRO.
1)Hesitei em ter uma conversa directa com Mozart.
Receei que fosse considerado como presunçoso
o facto de me pôr ao mesmo nível desse
grande compositor.
Não penso estar – ninguém está – na mesma elevação,
não há nível possível entre nós!
Desejei, apenas, ter a sua opinião sobre certas coisas que ele nunca teve tempo de abordar.
Desculpa e Obrigado, MOZART…
Imagem: Mesa em pedra usada por Mozart
no jardim
da residência Dušek em Praga

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